Durante meus anos de experiência com consultoria tributária e empresarial, está claro para mim que 2026 será um divisor de águas para empresas de todos os portes no Brasil. A partir deste ano, muitas regras tributárias mudam de forma relevante e afetam rotinas, custos, controles e até mesmo a maneira como sua empresa se relaciona com o mercado. Compartilho aqui minha visão sobre os principais pontos que merecem atenção.
Quais são os impactos gerais para as empresas?
Com a entrada de novos tributos como CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), haverá simplificação e unificação de tributos, atingindo diretamente a rotina operacional e o planejamento financeiro. No entanto, essa simplificação vem acompanhada de adaptação tecnológica, revisão de cálculos e mudanças nos documentos fiscais. A Receita Federal já comunicou que, a partir de janeiro de 2026, todos os contribuintes devem emitir documentos fiscais destacando CBS e IBS, cada um seguindo regras específicas (conforme instruções da Receita Federal).
Esse movimento não reduz necessariamente a carga tributária, mas reorganiza essa cobrança. Dados recentes do Tesouro Nacional apontam para uma carga tributária bruta de 32,40% do PIB em 2025, com leve aumento em relação ao ano anterior, indicando que o peso dos tributos segue relevante.
Quem não se prepara, arrisca perder competitividade.
A fase de transição e o que ela exige das empresas
Um dos pontos que mais vejo causar confusão é o das fases de transição. Aos poucos, o sistema antigo dará lugar ao novo, convivendo por certo tempo. Na prática, até 2032 teremos regras antigas para alguns documentos e operações, enquanto novas obrigações já surgem em 2026.
Destaco abaixo algumas situações comuns no período de transição:
- Coexistência de tributos antigos (ex: PIS/COFINS) e novos (CBS/IBS) para determinadas atividades
- Obrigação de informar as duas sistemáticas nos documentos fiscais, em determinados casos
- Novo comitê gestor do IBS, que coloca as administrações tributárias em colaboração para garantir a correta fiscalização e regulamentação do imposto, como divulgado pelo Ministério da Fazenda (saiba mais sobre este novo cenário regulatório)
- Pessoas físicas que são contribuintes de novos tributos deverão se inscrever no CNPJ, facilitando a apuração, mas sem transformá-las em pessoas jurídicas
Ter clareza sobre datas, prazos e obrigações reduz riscos de autuações e ajuda na tomada de decisão. Vi muitos gestores se surpreenderem negativamente ao subestimar o impacto de regras temporárias durante outros processos de transição legislativa.
Revisão de preços e contratos: por que mexer agora?
No meu escritório, aviso sempre: mudanças tributárias são a senha para revisar contratos de fornecimento, prestação de serviços e tabelas de preços. A nova tributação incide diferente sobre cada tipo de operação, podendo alterar custos e margens.
Se você tem contratos de longo prazo, recomendo observar cláusulas de reajuste, repasse de custos e mecanismo para revisitar valores diante de alterações legais expressivas. Não espere a primeira diferença aparecer no relatório financeiro para agir.
- Negocie ajustes claros para situações de mudança tributária
- Documente reuniões e decisões com parceiros, evitando litígios futuros
- Reveja modelos de precificação incorporando simulações dos novos tributos
Revisar contratos agora evita dor de cabeça e preserva o caixa.
Sistemas, cadastros fiscais e emissão de notas: adaptações urgentes
Outra lição que aprendi nos últimos anos: quem antecipa a atualização dos sistemas fiscais e de faturamento sempre passa pela transição com menos erros. A partir de 2026, documentos fiscais eletrônicos terão obrigatoriamente o detalhamento de CBS e IBS. Operar errado será mais fácil do que errar para menos ou para mais no novo modelo.

Além disso, cadastros de clientes, fornecedores e itens devem ser ajustados para que a classificação fiscal esteja correta e os documentos saiam conforme determinações das secretarias fazendárias.
- Atualize ERPs e sistemas de gestão para novas tabelas tributárias
- Treine a equipe responsável pela emissão de notas e apuração de impostos
- Revise cadastros, identificando atividades e produtos que mudam de alíquota ou regime
É comum que, nos primeiros meses, cresça a quantidade de notas rejeitadas ou obrigadas a correção. Isso gera atrasos, multas ou até perda de confiança dos clientes.
Planejamento financeiro: os riscos da inércia
Se há um ponto que gosto de destacar para meus clientes é o impacto financeiro desta transformação. Mudanças como a geração de créditos presumidos para a cadeia de reciclagem e regras de neutralidade entre reciclados e materiais primários, conforme aponta o Ministério da Fazenda, tendem a modificar cenários de custo e viabilidade de diversos negócios (vantagens tributárias para materiais reciclados).

Você pode sentir o impacto na forma de aumento ou redução dos impostos apurados, limitação na compensação de créditos ou novas rotinas de reporte e controle para recuperação de tributos. Tudo isso precisa estar no radar do departamento financeiro, seja por meio de simulação de cenários, seja por reserva de caixa para custos transitórios ou investimento em sistemas.
- Elabore simulações de faturamento sob a nova regra fiscal e compare com anos anteriores
- Revise projeções de caixa para absorver custos de adaptação e possíveis multas
- Inclua o tema tributário de 2026 em discussões de budget e planejamento estratégico
Planeje-se para ser surpreendido positivamente e não pego de surpresa.
Conclusão
Na prática, vejo que a reforma na tributação sobre o consumo cria a necessidade de olhar para dentro da empresa e agir preventivamente. Isso inclui revisar contratos, atualizar sistemas, instruir equipes e preparar o caixa para as novidades.
Meu conselho é simples, mas assertivo: não deixe para 2026 o que pode ser revisado e simulado em 2024 e 2025. As empresas preparadas colhem menos prejuízos e aproveitam melhor as oportunidades criadas pelas mudanças legais.
Perguntas frequentes
O que muda na tributação das empresas?
As principais mudanças são a extinção de tributos como PIS, COFINS, ICMS e ISS, sendo gradualmente substituídos por CBS e IBS, o que deve simplificar a apuração e a emissão de documentos fiscais, ainda que exija adequação operacional e tecnológica.
Como a reforma impacta pequenas empresas?
Pequenas empresas terão acesso a um regime diferenciado, mas precisarão atualizar sistemas e processos para cumprir as novas obrigações. Para quem está no Simples Nacional, haverá necessidade de atenção a regras específicas, mas mantém-se uma diferenciação para evitar aumento de carga tributária desproporcional.
Quais impostos serão alterados em 2026?
A partir de 2026, as principais mudanças serão a implantação do CBS (que unifica PIS/COFINS) e do IBS (que substitui ICMS e ISS), criando um caminho de transição até 2032, em que os tributos antigos e novos coexistirão para determinadas atividades.
Como adaptar minha empresa às novas regras?
A adaptação começa com a atualização de sistemas de gestão e emissão de notas fiscais, treinamento de equipes, revisão de contratos e realização de simulações para mensurar os efeitos da nova carga tributária. Também é fundamental refazer o planejamento financeiro e observar as datas de transição fixadas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS.
Quais setores serão mais afetados pela reforma?
Setores com longa cadeia de fornecedores, empresas com margens apertadas e atividades sujeitas a diferentes regimes tributários (como serviços e comércio) tendem a sentir mais os impactos. A cadeia de reciclagem, por exemplo, terá benefícios específicos, como a neutralidade tributária entre reciclados e materiais primários, conforme divulgado pelo Ministério da Fazenda.